26 de out de 2007





À margem, há mar
es trondosos
con toadas que
soam à-toa
mar orla
sob troa da
tempesta de
nu vem nubente
que pinga na pedra
sangue transpa
rente ao inverno
luar vernal vira
halo mar ginal

19 de out de 2007

Jantar, à luz de velas

Tristeza posta à mesa do jantar
Acompanhada com sorrisos fingidos
Corroboram as meias verdades ditas
Com sete mentiras escondidas.

A barbárie da guerra civil
Mesclada à diversão da juventude
Serviu hoje mais um cadáver
Deixando o peixe insosso.

A cadeira vazia dá lugar ao fantasma da saudade,
Que não diz que vai chegar depois das dez
Que não pede sequer um copo d’água.

O suco de goiaba remete ao sangue inocente, pisado
E tem gosto de vingança inútil
Nesta ceia, a esperança é uma Quimera.

17 de out de 2007

Lunático

Duma Lua muda
Jogo pedra na calçada
Lotada de gente

16 de out de 2007

Antes de Dormir

Faço força para me concentrar nas imagens
O filme é de guerra — Eastwood
Soldados suicidam-se com a granada ao lado do peito
A honrar seu país. Eu não lutaria por esta terra,
Que só traz mazelas, fome, frio e guerra civil
Hoje, eu não lutaria por nada e nem por ninguém
O medo me dominou.
Medo da polícia, dos bandidos,
Medo de me apaixonar, de olhar embaixo da cama.
E da morte? Eu temo à morte?
Deus, Diabo. Céu, Inferno. Luz, Trevas.
O Homem é o umbigo do Universo, por isso não aceita
Viver só setenta, oitenta anos.
Daí criou Deus e o paraíso,
Mas tem que ser bonzinho pra subir, viu!
Quando o Japão vê a guerra finda e a batalha perdida,
Percebo que pensei em tudo menos no filme.

15 de out de 2007




Die, Die My Darling

Morra, morra, morra minha querida
Não diga uma única palavra
Morra, morra, morra minha querida
Apenas feche seus lindos olhos
Eu vou lhe ver outra vez
Eu vou lhe ver no inferno

Não chore pra mim, oh baby
Seu futuro é em uma caixa oblonga
Não chore pra mim, oh baby
Deveria ter previsto isso
Não chore pra mim, oh baby
Eu não sabia que isso estava em sua boceta
Não chore pra mim, oh baby
Garota sem saída para um cara sem saída
Não chore pra mim, oh baby
E agora sua vida se esvai por aquele chão
Não chore pra mim, oh baby

14 de out de 2007

E se...

E se eu disser que te amo, mas as palavras saírem trêmulas de modo a entregar minha falsidade?
E se eu disser que posso sentir meus leucócitos morrerem, um a um, deixando-me incapaz de qualquer imunidade, até mesmo de uma gripe?
E se eu disser que as pessoas se divertem com algo que é a causa da minha doença?
E se eu disser que as estrelas tentam, em vão, imitar o brilho dos seus olhos?
E se eu disser que só fui legal com você por que estava interessado na fenda entre suas pernas?
E se eu disser que estou arrependido por não ter aceitado o seu pedido de namoro simplesmente porque queria curtir meus dezenove anos?
E se eu disser que entendo mais de amizade que amor?
E se eu disser que o seu perfume me excita mais que você?
E se eu disser que a morte é a salvação?
E se depois da morte existir somente o nada?
E se eu não existir?
E se eu transar com Angelina Jolie, fará alguma diferença em minha vida, serei feliz?
E se você me disser que eu só sirvo como amante, contudo não conseguir me deixar?
E se eu disser que todo esse relacionamento não passa de um jogo de interesse e que você não o ama?
E se eu disser que sinto saudade?
E se eu disser que não?
E se eu disser que prezo tanto sua amizade que sinto medo e não quero que você conheça meus defeitos?
E se eu disser que sofro mais por minhas amigas que paqueras?
E se eu me casar?
E se eu disser que o sol não tem mais o mesmo brilho que outrora e que a chuva me deixa eufórico?
E se eu disser que todas as noites, que consigo dormir, sonho contigo?
Mas eu nada digo.

6 de out de 2007

Cronologia

O tempo é Deus
O Diabo a relatividade.