14 de mar de 2009

Peña brava

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Hay una peña brava

aquí, en la costa,

el viento furibundo,

la sal del mar, la ira,

desde hace siempre, ahora

y ayer, y cada siglo

la atacaron:

tiene arrugas,

cavernas,

grietas, figuras, gradas,

mejillas de granito

y estalla el mar en la roca

amándola,

rompe el beso maligno,

relámpagos de espuma,

birlho de luna rabiosa.

Es una peña gris,

color de edad, austera,

infinita, cansada, poderosa.


Em dois mil e oito homenageei Fernando Pessoa, no Dia do Poeta — e meu também, pois nasci a catorze de março do século passado —, postando Aniversário, se bem que o poema é de Álvaro de Campos e até queria o contrário: o Pessoa fosse heterônimo do Campos. Deixando meus achômetros de lado, este ano escolhi um do Prêmio Nobel Pablo Neruda. Foi difícil a escolha e talvez acabe incluindo outro dele aqui, para desencargo de consciência. Em verdade, nem li tantos poemas dele assim, tenho um livro do dito cujo, presente da Renata (brigado, moça!). A edição é composta por dois livros póstumos do chileno, Defeitos escolhidos e 2000. Peña (hijo de puta! O Word com essa mania de correção fica tirando o til do ene.) brava faz parte de Defeitos escolhidos, que, aliás, me agradou bem mais do que 2000. O bem escrito poema me fascinou desde a primeira lida, deste modo: periplei, parecia, imageticamente, que lia Tolkien, ou uma ficção qualquer. A fotografia mental que faço logo no primeiro verso é a de um velho sentado em algum local numa praia deserta, observando o horizonte, com o viento furibundo agitando seus grisalhos cabelos e a camisa de botão, a qual não consigo definir uma cor, mas é clara. Enquanto isso, o mar fica molestando a potente pedra, que, pelo tempo, já deve estar acostumada a levar na cara umas boas porradas da molenga água. Se descermos mais um poucochinho (venero essa palavra) no poema-pedra, encontrar-nos-emos um verso só de cavernas, ali estão as imemoriais cavidades que se perdem terra adentro com suas gretas a esconder sabe-se lá quê; um onde esculpido pelo tempo. E o mar, símbolo de infinito e revolta com suas agitadas águas, continua a ferir as fendas da pedra, mas amando-a, beijando-a, até provocar relámpagos de espuma. E a lua e o meu velho, ambos também já têm cor de idade, assistem a tudo sem poder, e talvez querer, fazer nada. Introspectivo, o velho olha mas não vê. Raivosa, a lua, quem pode dizer?, brilha de ciúmes por não possuir um parceiro que a espanque e foda suas crateras solitárias.

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12 de mar de 2009

Sabor maçã

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Factual mordida na fruta

Os dentes mesclados com a massa da maçã

E o caldo escorrente ao lado da boca

O líquido adocicado entre lábios

Gotas de mancha sobre a bermuda

A ferida na boca descuidada

Que entorpecente textura:

vermelha e branca

O sangue a massa o sumo



e u s e m e l a

palato e casca

mar e lua

espelhos de querenças

quem por quem?

reflexo de um fruto escamoso

(nunca eu, o gomo)

a boca da maçã com seus olhos

um outro céu inside

minha saliva mais sua visão

...co-incidências...

caninos no interior desse pomo

meu deus...!

e u s e m e u



...............Cnofusoã on epasço coático

Engodo imagético da descrença


...............Que se

Que me

...............Que te


Sem

............Vinha

Com

...........Meu


Quanta massa na boca!

Tal qual dentes na maçã?...............

Que tal vida sem sabor,

Como morte de uma dança?...............


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