19 de abr de 2007

Não perturbe!

Que barulho insuportável de gente, carro, som, batucada, grito, cachorro, ônibus, mais gente, minha mente, professor, cliente, vida e morte.
Queria eu poder enfiar uma rolha bem grande na boca dessa velha que não pára de tagarelar. Será que ela não percebe que não é de meu interesse saber que o filho dela está comendo sua cunhada?
Alguém quer fazer essa criança fechar a matraca.
Aonde esconderam o silêncio? Debaixo do oceano, no fundo do copo? No meu ouvido que não foi. Meu tímpano é a arquibancada do Maracanã em dia de Vasco e Flamengo.
A virtude do sábio é ouvir, e ouvir hoje é um luxo, ninguém escuta mais, todos falam em uníssono causando uma balburdia opressora.
Quando ocorre uma tragédia pedem que façamos um minuto de silêncio, ora, deveriam pedir uma hora ou, por que não, um ano?
Precisamos ouvir o silêncio.

"E o que tem depois de Deus, pai?"

O que quer de mim?
Por que me aflige com este espinho na carne?
Por que não me deixa sentir paz?
Quantas vezes lhe pedi para que afastasse de mim este cálice?
Por que me perturba?
O que fiz para merecer tal castigo e perseguição?
Por que nada mais acontece?
Ainda me ouve?
O inferno é aqui?
Estou preso aqui fora?
Você tem mesmo as respostas?