18 de mar de 2008

Venda Transparente

O tempo em que não me preocupava
Com o dia futuro virou sonho
Agora a rotina é claustrofóbica
Cercada por paredes ocupacionais,
Lacrada por um teto de obrigações
E ao meu lado tem uma, duas,
Sete e quarenta e duas pessoas
Que não se vêem, mas se olham
E, nesta sala, o número é crescente
De vida, não sei se posso chamar de vida
A liberdade existe, contudo lhe aconselho
A não expressar o seu pensar
Pois a verdade já se definiu há dois mil anos,
E você?

8 comentários:

Anônimo disse...

"E ao meu lado tem uma, duas,
Sete e quarenta e duas pessoas" = ;)

E feliz aniversário, amigo. Que data feliz, não?

Anônimo disse...

Ah, Luiz, Arthur Clarke morreu. :(

Mésmero disse...

Rapá, nem o conhecia. Bom cê ter falado.

Ah, se der tempo deu ler todas as ficções do mundo...

Jorge Elias disse...

Obrigado por deixar a questão em aberto.
Compactuo de seu sentimento.
Quanto a idade da verdade humana, penso que ela é mais velha; ela deve datar de quando nossos ancestrais aprenderam as primeiras interjeições dos animais.
Mas dessa verdade essencial advém as inúmeras facetas da verdade de cada um.
Sigo remendando os cacos de minha verdade para me fazer Homem.
Posso ter falado um montão de abobrinha, mas deixe estar...

Abraços,

Jorge Elias

Mésmero disse...

Não falou abobrinha não, Jorge.

A questão é que nossa liberdade de pensar e se expressar é uma mentira deslavada desde muito e muito tempo. Se você tem idéias contrárias à maioria dos que estão ao seu redor, recebe olhares do tipo: nossa que ignorância, não esperava isso de você...

Então vejo que não temos tanto espaço assim, né. Inda bem que tem este abençoado blog pra jogar minhas besteiras pra fora e até crescer um pouco com discussões como esta.

Abraços!

Sarah Vervloet. disse...

Não acho que sejam tantas besteiras assim... de certa forma, o seu post se relaciona com o meu, reparou Luiz? acho q só eu consegui enchergar isso... bem, sedo besteiras ou não, entrei para o time!

Gostei do poema.
Beijos

Opuntia disse...

Gostei muito desse poema. Ele é a descrição do conturbado cotidiano de cada um de nós.
"As pessoas se olham e não se vêem". É isso aí.

Um abraço.

Jacinta disse...

É...
às vezes a sala está cheia, mas parece que nos olhamos mas não nos enxergamos, ouvimos mas não nos escutamos.
Parece que somos um amontoado de organismos que se esqueceram de ser Gente.
Amei o seu poema e dele faço essa leitura um tanto viajante, sei.
Um abraço
Jacinta