28 de set. de 2007

Depressão

O marasmo me deprime.
Com esta melancolia me ofendo.
Quando finjo, existo.
Quem me ergue tira-me o motivo.
Qualquer isso, desisto.
Quem destrói meus devaneios?
Absinto.

21 de set. de 2007

Medo de Criança

Em fria madrugada, despertei,
Sem saber o porquê, quem ou o quê
A mim incomodava e me queixei:
Fale! Quem é você, soturno ser?

O silêncio, então, quebrado foi
Com ruídos estranhos de fazer
Minha imaginação criar na noite
Tremores nas entranhas do meu ser

Pela janela, luz lunar entrava
Sombras eram formadas em meu quarto
Sinto um odor de pus e uma desgraça

Que me observa calada e deturpada.
Pendurada sem jus pela garganta
Balança uma infante ma’abortada

4 de jul. de 2007

A Escolha

Tê-la em meus braços
Vê-la de longe
Não me provoque!
Não te assanho.
Quero você
Ter ou não ter?

Vira de costas
Pra ir embora
Deixo que vá.
Como rebola!
Quero sorver
Todo teu ser.

— Dá meia volta! —
Digo pra ela.
Ela me olha
E não dá trégua
Que vou fazer?
Quero saber.

Chego mais perto
E ela desiste
Lábios abertos
Fogo existe.
Vamos sofrer
Ígneo prazer.

Timidez

As palavras ficam tímidas,
Quando pego na caneta,
E se acolhem lúgubres
Dentro da minha cabeça.
Porque os sentimentos
Que estão cá dentro
Não falam a mesma língua
Que a ponta da caneta.

Desejo Fúnebre

Um dia
Eu queria
No mundo
A minha dor.

Numa tarde
Eu teria
A morte
Do meu amor.

E da noite
Eu faria
Uma lápide
Sem flor.

Um dia para esquecer

Às quatro e meia, Morfeu tirou meu sono.
Às sete e meia, fiquei mudo.
Quinze horas, tiraram-me o chão.
E, como se não bastasse,
Limitaram minha amizade.

21 de jun. de 2007

Barker

"Então sua concentração enfraqueceu, e ela viu o mundo invisível tornar-se visível, com Simon dependurado no ar, enquanto os mortos escreviam em seu corpo por todos os lados, arrancando punhados de cabelos da sua cabeça e do seu corpo para conseguir mais espaço na página, escrevendo nas axilas, nas pálpebras, nos órgãos genitais, no rego entre as nádegas e nas solas dos pés.
Escreveram sobre ele; tatuaram seus verdadeiros testamentos sobre sua pele para que McNeal nunca mais encarasse a tristeza em vão. Transformavam seu corpo num livro, um livro de sangue, cada centímetro minuciosamente entalhado com suas histórias.
As histórias seguem, dissera o garoto. Sangram e sangram.
Nas páginas seguintes estão as histórias escritas no livro de sangue. Leia-as, se quiser, e aprenda.
É melhor estar preparado para o pior, afinal. Além disso, é prudente aprender a andar antes que a respiração termine."

Aonde está você agora além de aqui dentro de mim?

Todos os dias antes de dormir, eu lembro e esqueço como foi o dia, lembro das tardes que passamos juntos na UFES e agora o que sinto não sei dizer!
Até hoje achava que a solidão é que me caía bem, mas você veio e me mostrou que nós temos todo o tempo do mundo! Mesmo assim ainda estou confusa, só que agora é diferente, agora já não sei dizer o que aconteceu, se tudo que sonhei foi só um sonho meu!
Quando eu te encontrei, só queria alguém com quem conversar, mas de uns tempos pra cá, meio sem querer alguma coisa aconteceu!
E depois disso, quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que existe razão?
E é só você que provoca essa saudade vazia, quando me lembro de você em dias assim, dias de chuva! E lembro das tardes em que passamos nas pedras, onde você me dizia - olhe nos meus olhos - e eu dizia - eu gosto de você também!
Agora ninguém mais vai me dizer o que sentir, você é parte do que me faz forte e pra ser sincera muito feliz!
Você me toca como se fosse quebrar, parece me despir com os olhos! E eu disfarço e digo - não me olha assim, eu sou parte de você também!
Tudo pode estar estranho agora, mas nada vai conseguir mudar o que ficou, quando penso em alguém, só penso em você! E aí então você se torna aquele com o qual a vida faz sentido! Momento que se tornou eternidade quando um beijo aconteceu!

Renata

Tira as madeixas de trás das orelhas
Faz charme quando cai sobre sua face
Digo pra criança: solta os cabelos!
Mas persistem sob o lóbulo, num impasse.

No jogo da sedução é honestamente
Eficaz, na aposta, porém, roubar-me
(é ênclise) foi capaz. Mas tão somente
cumprirei o trato por muito lhe prezar.

Anda com o charme da flor da idade
E tem cheiro de Capricho campestre
Vejo, sinto, pressinto maldade.

Amizade matizada, celeste,
Que à noite é estrelada de saudade
E na aurora ilumina o meu leste.

28 de abr. de 2007

Minha mente mente, me metendo muito medo

Machuca-me mesmo morena, mas malícia me mostrará melhores meios. Menina mentirosa, malandra, malvada.
Mulheres maculadas metem mais, menos, mais, menos. Malgrados merecem.
Manápulas mexem mamas meladas, Meu Milagroso, mostre-las medidas morais.
Mundo mentecapto.
Mude!
Melhore!
Mate-me!

Ka

Não desanime! A fria sombra da lápide, que a todos acolhe, se aproxima com vagar como uma nuvem negra que vem chegando silenciosamente para provocar a fenomenal tempestade em sua vidinha de merda.

19 de abr. de 2007

Não perturbe!

Que barulho insuportável de gente, carro, som, batucada, grito, cachorro, ônibus, mais gente, minha mente, professor, cliente, vida e morte.
Queria eu poder enfiar uma rolha bem grande na boca dessa velha que não pára de tagarelar. Será que ela não percebe que não é de meu interesse saber que o filho dela está comendo sua cunhada?
Alguém quer fazer essa criança fechar a matraca.
Aonde esconderam o silêncio? Debaixo do oceano, no fundo do copo? No meu ouvido que não foi. Meu tímpano é a arquibancada do Maracanã em dia de Vasco e Flamengo.
A virtude do sábio é ouvir, e ouvir hoje é um luxo, ninguém escuta mais, todos falam em uníssono causando uma balburdia opressora.
Quando ocorre uma tragédia pedem que façamos um minuto de silêncio, ora, deveriam pedir uma hora ou, por que não, um ano?
Precisamos ouvir o silêncio.

"E o que tem depois de Deus, pai?"

O que quer de mim?
Por que me aflige com este espinho na carne?
Por que não me deixa sentir paz?
Quantas vezes lhe pedi para que afastasse de mim este cálice?
Por que me perturba?
O que fiz para merecer tal castigo e perseguição?
Por que nada mais acontece?
Ainda me ouve?
O inferno é aqui?
Estou preso aqui fora?
Você tem mesmo as respostas?

17 de abr. de 2007

Clarisse


- Cansou-se deste mundo, Clarisse? Com aquelas pessoas te vilipendiando e chamando você de louca. Sendo falsas contigo, te humilhando por não compreenderem o que você faz quando se sente só e por que faz. Não querem que você ouça estas músicas e leia estes livros porque eles lhe farão mal, mas o que elas não entendem é que isso foi tudo o que restou para você nesta terra. Não se dê por vencida, reaja! Elas desejam te transformar em mais uma cópia anatemática. Você se lembra daquele menino? Dizem que foi internado por falta de atenção dos amigos, parentes e das lembranças dos sonhos que se mostraram utópicos, não deixe que aconteça o mesmo com você, pois sonhos são apenas uma vontade de ter o que desejamos e, quando você realiza seu sonho, tem que preencher o espaço dele com outro, isso nunca pára. E aquela sua amiga? Nem se sabe como ela partiu.
- À noite, Clarisse, pode-se ver o medo estampado nas faces das pessoas gerando racismo e preconceito, livre-se disso também. Não tenha medo. Venha comigo. Eu sou a sua morte e lhe quero bem.
- Esta violência exacerbada contra meninas e mulheres é a conseqüência da verdade ter sido transtornada. E o que é a verdade? Um acordo entre mentirosos, nada mais.

Quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito, Clarisse sente que o anjo triste está ao seu lado. Deitada num canto do banheiro ela paga sua passagem só de ida rumo ao desconhecido, o preço são dois cortes que ela faz nos pulsos, não sente dor, apenas observa o sangue escorrendo para o ralo, sua visão começa a embaçar, o corpo começa a perder a rigidez e ela cai num sono profundo. Clarisse agora voa pelo caminho mais bonito.

12 de abr. de 2007

Monotonia Social

Sangue jorra em praças públicas.
- Bom dia!
- Dia!
As pessoas andam amedrontadas pelas ruas.
- Vai à praia hoje?
- Vou.
Crianças comem e bebem drogas.
- Que horas?
- Agora.
Políticos cruzam os braços.
- Posso ir contigo?
- Pode.
E nossa rotina continua imutável.

7 de abr. de 2007

“Sossegue Carlos, o amor é isso que você está vendo”.



Acordei, ouvi Mozart, e coloquei um vídeo sobre Drummond.
Quer maneira melhor para se inspirar e escrever?
Pois te digo que até alguns minutos não tinha uma motivação tal qual recebi agora.
Aquela imagem meramente distorcida pela rede invadiu minha tela, quão boa foi a surpresa, quão ruim foi a distância. Quem inventou a distância realmente não conhecia a saudade.
Ao choque daquela visão, senti como agulhas tremendo em meu baixo ventre e, à medida que observava, algo frio e quente ia subindo até o coração e ali estacionava.
Enquanto teclávamos, ela sorria mostrando marfins que iluminavam toda escuridão de minhas retinas e me levavam à luz de seus olhos castanhos-escuros.
E seus lábios, ah! Finos, quentes, lúbricos e úmidos transformariam o ser mais taciturno deste mundo no mais bem-aventurado.
Agora ela se despede com dois pontos e um asterisco.
E fica na minha memória a lembrança de seus longos cabelos.

5 de abr. de 2007

Mar

- VOCÊ NÃO ESTÁ BEM. - Quando ele disse isso senti que me olhava, não nos olhos mas além deles.
Não entendo como pude ficar tanto tempo longe de você, esta paz que sinto quando chego aqui, não sei se é melhor estar na parte verde, azul ou branca. Tudo que sei é que mesmo de longe, só observando sinto toda a minha tristeza ir embora, é maravilhoso, fenomenal, as pessoas vêm aqui para procurar coisas, eu venho aqui para me encontrar e ele sempre me ajuda.
Quando estou dentro de você é como flutuar, leve, solto, sem problemas e minha ansiedade se esvai junto com as minhas impurezas. Isso tudo é muito bom mas à realidade retorno e tudo ao meu redor parece triste, deprimente, nostálgico, monótono (detesto monotonia), depressivo é o meu modo de sentir as coisas e vê-las. Estou sempre questionando tudo e todos.
Um dia volto para lhe ver novamente.
- EU SEI, EU SEI.