12 de jul. de 2011

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Confundir é tambem parte de cada
matéria que se mistura se soma e
se desvela - caos

Confluir é uma constante
que também já foi outra coisa
não unânime - zigoto

Conspurcar é colocar de volta
o eixo em seu buraco
negro - abismo

Contudo no início
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26 de mar. de 2011

Esta é a introdução da pentalogia de Douglas Adams.


Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.

Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.

Este planeta tem ― ou melhor, tinha ― o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.

E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.

Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.

E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth, de repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo e finalmente descobriu como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.

Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota, e a idéia perdeu-se para todo o sempre.

Esta não é a história dessa garota.

É a história daquela catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas conseqüências.

É também a história de um livro, chamado O Guia do Mochileiro das Galáxias ― um livro que não é da Terra, jamais foi publicado na Terra e, até o dia em que ocorreu a terrível catástrofe, nenhum terráqueo jamais o tinha visto ou sequer ouvido falar dele.

Apesar disso, é um livro realmente extraordinário.

Na verdade, foi provavelmente o mais extraordinário dos livros publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor ― editoras das quais nenhum terráqueo jamais ouvira falar, também.

O livro é não apenas uma obra extraordinária como também um tremendo best-seller ― mais popular que a Enciclopédia Celestial do Lar, mais vendido que Mais Cinqüenta e Três Coisas para se Fazer em Gravidade Zero, e mais polêmico que a colossal trilogia filosófica de Oolonn Colluphid, Onde Deus Errou, Mais Alguns Grandes Erros de Deus e Quem É Esse Tal de Deus Afinal?

Em muitas das civilizações mais tranqüilonas da Borda Oriental da Galáxia, O Guia do Mochileiro das Galáxias já substituiu a grande Enciclopédia Galáctica como repositório-padrão de todo conhecimento e sabedoria, pois ainda que contenha muitas omissões e textos apócrifos, ou pelo menos terrivelmente incorretos, ele é superior à obra mais antiga e mais prosaica em dois aspectos importantes.

Em primeiro lugar, é ligeiramente mais barato; em segundo lugar, traz impressa na capa, em letras garrafais e amigáveis, a frase NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Mas a história daquela quinta-feira terrível e idiota, a história de suas extraordinárias conseqüências, a história das interligações inextricáveis entre estas conseqüências e este livro extraordinário ― tudo isso teve um começo muito simples.

Começou com uma casa.

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14 de mar. de 2011

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Para não passar em branco o Dia da Poesia, trecho de A Terra Desolada, de Eliot:


Abril é o mais cruel dos meses, germina

Lilases da terra morta, mistura

Memória e desejo, aviva

Agônicas raízes com a chuva da primavera.

O inverno nos agasalhava, envolvendo

A terra em neve deslembrada, nutrindo

Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.

O verão nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee

Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos

E ao sol caminhamos pelas aléias do Hofgarten,

Tomamos café, e por uma hora conversamos.

Bin gar keine Russin, stamm' aus Litauen, echt deutsch.

Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,

Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.

E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,

Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.

Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.

Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.


Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham

Nessa imundície pedregosa? Filho do homem

Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces

Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,

E as árvores mortas já não mais te abrigam, nem te consola o

canto dos grilos,

E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas

Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.
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7 de out. de 2010

Eis que me lê e encontra

um vazio muito grande


Os personagens


Juliana veste seu jeans se olhando ao espelho. Ajeita o cabelo ruivo. Não espirra o perfume. Pega a chave da moto. Decola. Após três doses de Martini sente-se disposta a beijar suas amigas. Só como tira gosto, pensa ela. Pedro arranha os dentes quando esbarram nele dentro do ônibus quando nele esbarram dentro do ônibus nele quando esbarram dentro do ônibus dentro do ônibus quando esbarram nele. E fica de rotina. À hora em que Joãozinho farmacêutico aplica a injeção em suas pacientes, seu corpo overdose. Iane veste uma saiinha bem justa para excitar os membros da Companhia de Seguros, nas reuniões de sexta-feira. Peepoe considera coisas já entendidas como absurdo verdadeiro da ignorância humana; pensa na comodidade de se ter as matérias já ditadas, medidas, esquadrinhadas — qual se fosse o todo pronto. Apanha uma maçã e sussurra: “Qual lado eu mordo, o de dentro ou o de maçã?”

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29 de set. de 2010

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Há uma flor em meu quarto
e me observa
reflexiva

Estranho como me analisa
sem movimento nem pudor

Há um quê de sombrio
em se pensar nela (enquanto transito
pela rua) sozinha naquele aposento

Qual a cor, o olor
que pétala cai

A água chovida
sobre seu pedúnculo
não rega vida nem cintila

Aqui, do lado de fora,
ninguém a pode admirar:

Lá, ela está só no universo
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19 de set. de 2010

Eu respondi:

.........se

o homem tocou com o pensamento

....................não está seguro

É incerto se se vendem drogas

....................ou se compro ansiedade


o mundo mutante, a vida escatológica

o sonho se concretizará com terra por todos os lados

ao meu redor é simplesmente o que vejo:

coisas, o universo está cheio de coisas

interferindo as pessoas, transformando-as em seres cautelosos,

acanhados, vulneráveis


.............quem encontrou a medida certa,

.....................................e o equilíbrio?

Por que subo a escada, com a ciência de descer

...............................................voltando para o mesmo chão?


Sobe-desce

Degrau-grados

Degrado

Contudo, um caminho único que leva

Para lugares opostos dispostos no mesmo ambiente

(em regiões díspares e ermas)

Onde vimos pessoas brindarem o convalescimento

de seus pretextos, cumplicidade por medo

caos por individuação


Densidade abstrata de

Vidas vazias,

Breves,

Diárias


cadá cadá


e está aí o poeta, o físico...

................e quê dizem, disseram, dirão desses

.......................................aliás, não era Alice o bicho estranho na toca do coelho?


Jacó sobe para alcançar o anjo

A menina desce para ver maravilhas


..............................................Desce, Jacó, não se torne Israel

................................ Beba um chá com o chapeleiro, é uma boa bebida

....................Não lute com o asado,

..........Deixe-nos somente pisar a terra, e voar com as escadas

De Pabel


Nada começou do tudo

Tudo teve início a partir da Palavra

E a palavra da letra

Uma escada horizontal que leva a _______

Não há Verbo

Há a Palavra

[...]