24 de jan. de 2009

Tomo de bolso

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Abre as páginas de um livro velho e antigo

e sente o perfume das traças aclamadas pelo grande público

Com mãos sufocadas no bolso, o Homem observa as aventuras

que poderia ter usufruído, não houvesse medo de arriscar

pisar fora da monotonia de um dia que já dura a vida


O personagem zomba do leitor

É a criatura logrando seu criador

Sendo mais do que ele sempre foi


O Homem não solta a capa dura do livro em sua mira sedenta

Ousa viver circunspecto

enquanto escreve poemas

mais valorativos que toda uma vida


Pela palavra,

o herói salva o mundo apocalíptico do Homem,

pelo cujo homem

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22 de jan. de 2009

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Como se soubesse que é bendita pelos enamorados, a lua sorria no céu negro acompanhada pelas estrelas que, uma a uma, resplandeciam. E sobre as folhas secas de uma castanheira qualquer, o casal altercava. Sobre sexo, ciúme, um pouco do de sempre. A menina aceita a explicação — desconfiada; Fernando aparenta ter saído de um túmulo, Brunela pensa, não quero outra discussão, a última se aproximou da linha imaginária do precipício que seria uma separação. Motivo: Brunela havia marcado um trabalho escolar de anatomia, a dois, com um menino de sua sala. Passional, Fernando não aceita, daí a briga. Após xingarem Deus e o mundo e insultarem o Diabo com seu próprio nome, cada um seguiu seu rumo, fadado e particular.

Mesmo depois de fazerem as pazes, Brunela não soube o que aconteceu com o namorado àquele dia. O próprio Fernando não tinha certeza. Ela pensava que o motivo da apatia sexual dele era a briga e esperava do tempo o remédio para a ferida. Porém as semanas passavam e Fernando estava cada dia mais taciturno, sua palidez assemelhava-se a de um vampiro e, isso ele não podia negar, havia emagrecido. A frequência com que os dois se viam diminuía do mesmo modo que o aspecto tétrico de Fernando aumentava. Às vezes, Brunela sentia uma inquietação no namorado como se ele quisesse lhe contar um segredo, mas ela não forçava nada, esperava o momento certo.

Fim de tarde, o sol se aproximava do horizonte e os dois caminhavam pela praia, o vento sacudia os cabelos de Brunela ao mesmo tempo em que a areia batia em suas pernas. Fernando começara a narrar sua história.

Disse que, quando saiu da casa de Brunela, à data do desentendimento, andou pela orla da praia bebendo até perder o domínio do corpo próprio e tombou-se ali mesmo devido à embriaguez e teve um sonho. Curioso é o fato de o sonho se passar no mesmo local em que cochilara. Nesta quimera, ele acorda em frente ao mar, a Lua Cheia ilumina a água baça e o silêncio inquietante o faz tremer. Somente o barulho das ondas ele escuta, quando outro som vem do mesmo local, como se a água fervesse. Então ele observa as borbulhas se moverem a sua direção. Seis anões carregam uma enorme concha rosada, eles parecem ígneos, pois toda a água ao redor deles ferve como se um vulcão estivesse surgindo. Param e depositam a concha sobre a areia, ela se abre e a única coisa que Fernando vê, a priori, em seu interior, são mechas de cabelo que parecem ter vida própria e se movimentam numa dança libidinosa. Depois se abrem, revelando sua origem. Uma mulher nua sai de seu abrigo calcário encarando Fernando que, movido por excitação, caminha languidamente alterado. Tudo que Fernando deseja é cair nas pernas daquela deusa e satisfazer sua concupiscência. E ela o sacia. Logo depois fala como cantasse:

Expulsa do Jardim fui
No Oceano há meu refúgio
A terra não me comporta
Traze a mim muitas mortas

De Eva já fui chamada
De Vênus, a enciumada,
Mas há já muito sou Lilit
Prima, e verdadeira Filha

Deveria continuar a história, mas me parece que ela terá seu ponto onde todas se encerram: no “fim” (já entenderão o porquê das aspas). Uma de minhas compreensões de contos, romances e poemas é a de que não se deve pôr final, mas sempre fomentá-los de exageros ou de faltas propositados que não demonstrem fim nem começo, contudo o modo de construção básico ou ilimitado, fantástico ou argumentativo... Talvez como um jogo de cartas em que não se lembre quais foram as primeiras da rodada e muito menos quem ganhará a partida, mas, conforme a baliza do cartear prosseguir sem certezas, a inexatidão do jogo o transforme em menos existencialista do que a aritmética planejada por cada jogador. E porisso mesmo mais emocionante e paradoxalmente racionalista.

Continuo a escrever aquilo que li outrora de algum filme; o que interpretei de um poema que nem me lembro, mas que se encontra arquivado sob a pátina de minha memória; de romances que me lembro da história, e não recordo nomes de personagens e nem do título. Prossigo o que não pode ser acabado, porque o início existe tão longínquo. Todos somos autores e poetas, decerto há os passivos; civilizadores de um mundo inacabado (ora, então construtores e destruidores de nosso mundo, o que o torna eterno); imaginadores de Deus e deuses. Há mais dentro do oculto do que no difuso. Consoante vamos implodindo nossa degradação, a criação irrompe em lágrimas catárticas, em risos esquizofrênicos ou em memórias que não comportam apenas uma qualidade, mas substantivos, neologismos, metonímias, metáforas...

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15 de jan. de 2009

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Último

a deus
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8 de jan. de 2009

Elias

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em ser rés tem de perder ser e merecer nem ser; querer nem ser-se e descer dez vezes rés: meter-se em pés descrentes que cessem de vez em pó; e mesmo que o medo de perder o ser em pó de pés descobertos mescle o ser com o resto podre pense que é somente o rés do resto do pus poroso e sopese o ser com o rés do ser que é pus que é póstumo que é sem ser que se segue sendo o pó do túmulo de nenhum defunto, mas de um profeta trasladado, de um defunto que nunca ocupou sua mesma casa, um ser que passou a não ser sem passar pelo não sendo. O ser que não era mito passou a ser. O rés que não era tudo passou a ser nada, nem tudo que vira mito se desnuda em pó ou vem de pá de lavrar palavra: funde-se ao infinito que é finito que é piso de Uni(r)verso mítico
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22 de dez. de 2008

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Hoje descobri que ela parece ser realmente minha amiga. Não desejo concatenar, aqui, as ocorrências relativas ao passado nosso. Apenas confabular um pouco com este papel e descobrir o coberto. Vasculhar esse cofre de mistério que é a mente e o sentimento humanos. Porque tenho mania má de escurecer as coisas de mim. Ela me decepcionou certa vez, sim, ninguém pode se relacionar com outro sem passar por essas... situações. Bem fui cuidadoso e não a agredi com palavras. Fiquei foi triste. Taciturno por uns três dias. Até que superei. O tempo cura. Se não curar, não tenho qualidade mnemônica louvável. A gente tem de se lembrar os momentos em que o amigo foi amigo e esquecer as mazelas políticas de único infortúnio. Pois então. Esqueci nada: sarei. Nem contei a ela. Deixa estar. Um dia se percorre tantas pessoas que a gente aprende a separar gostar de gostar. Fico pensando se já assimilei a disparidade desse sentimento-ação, porque é verbo. Cri que sim, até aqui. Vejo verdade nos olhos dela. Sinceridade nas palavras. Elas machucam, às vezes,: a sinceridade e a verdade. Doravante tiro minha dúvida. Não é fácil desomitir nossas vergonhas. Também é difícil gostar de quem gosta da gente. Dá medo. Medo de errar. De pôr o pingo no A. E a pessoa que alegra-me descuidar de mim. Meditei tempos pra revelar a ela um secreto. Senti quentura na garganta, o olho esquentou com lágrimas embaçantes. Víamos a frota de navios com luzes, assemelhava uma cidade no meio do mar. Muitas atitudes são difíceis de explicar. Botar na cabeça de Deus que existe ateu, por exemplo. Nem todo Deus entende. Sei que até o presente ela é minha amiga. O futuro é mentira. Sem esperança. Amor. Confio.
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15 de dez. de 2008

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Das muitas águas escorre sangue vencido
A terra vegetou por longos tempos
Tanto que desejou gordura
Satisfeita e decadente, invejou o oceano
Quis ser Deus por um momento
Firme inconstância do destino

No clima murmurado de Dezembro
Lástima de sol desgraça o vento
Chuva de poeta não mais existe
Veia inerte agora logra miscível
Sob a derme, resquício do que foi terra
Gosto pela gota do inverno
Do inferno
Pinga devastação

* * *

Vergo linha
Muito morno
Bebo catástrofe

Faca aguda
Pulso firme
(vocação nenhuma, Clarice)

Aterrado fica o corpo
Está o corpo
Que não habita mais
Não há mais fruto

A terra mesmo nos une?
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13 de nov. de 2008

O Sofá

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O sofá da sala fez alguns anos
A vida que assenta
Não é a mesma que assentou
Foi conspurcado
Abusaram e deitaram no sofá
Não pediram
Ele não reclamou seu direito de sofá
Deitaram e abusaram do sofá
O quadro fixado na parede
Incomoda ninguém
Arte que virou enfeite
Provável se excluírem da sala
Deixe mais besta a parede
O tapete firma quem está de pé
Aquece e conforta
Luxo mal percebido
Nem importa de onde advindo
Pisado, quem trabalhou a trama não interessa
Está pronta e... paga?
A sala permanece notável
Enquanto a tv está ligada

Mas o lucro é do sofá
O sofá da sala que fez alguns ânus
0

30 de out. de 2008

A quinta fase da Lua (parte 1)




A face negra da Lua


Que impressão causa ao homem o mistério das coisas?
O desconforto da curiosidade, a busca pela revelação?
A parte obscura da Lua me incomoda
Mas não me diz respeito
Que diferença faz?
Tenho quase certeza de que ela não se pergunta
Por que eu não resplandeço para ela me admirar
Mas a verdade é que tenho de desvendar
Esta folha em branco me diz muito mais coisas
Do que a obscuridade da face negra da Lua
Que nem sempre é negra
Mas hoje resolveu ser
Sou movido pela invisível motriz lunar
Por sua força, a maré esvazia cheia
Não há lado negro na Lua
Mas ela é branca porque tem um lado negro
Você só é bonita porque a outra é feia
Sem contraste não há beleza, não há divisão,
Não há artigo definido, não há ser, não há...
Que maldição seria o dia, não houvesse noite!
O que eu faria do seu amor, se não me sentisse só?
Eu o guardaria com carinho
No vento que passou
E nem mesmo respirei
Agora só estou certo porque tive dúvida
Mas, olhe, veja, não é monótona essa certeza?
Existe um impulso na onda da maré morna
Que quebra a calmaria da vida
E esse vetor é a morte
Observou?
Outro contraste!
Não há eternidade sem morte
Sem o homem não há Deus
Jesus está certo: o Diabo ou a cruz
Não posso ser os dois
A balança cosmogônica exige equilíbrio
Enquanto uns fazem filhos, outros matam
Do trapézio da vida, cuspo em tudo isso
E que o Diabo pegue a cruz e enfie!
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14 de out. de 2008

Telperion




Nada há.

A água do Caos
Rega a semente
Germina ser
Árvore

A raiz expande o Cosmos
Ara a terra
Se aprofunda no pó
Da morada sempiterna dos mortos
Surge a vida

De sua bela flor transcende a Lua,
musa fértil dos amantes,
das criaturas noturnas e
dos seres errantes

Cresce indiferente aos outros seres
Seu primeiro ramo
Almeja o Céu
Seu primeiro ramo
Nasce verde
Seu primeiro ramo
Morre cinza
No galho
Ermo
Do desvio

e quando tudo acaba
Fëanor seiva ser deus

aguarda





7 de set. de 2008

Division Bell




Durante milhões de anos,

A humanidade viveu como os animais.

Aí algo aconteceu

Que libertou

O poder de nossa imaginação:

Aprendemos a falar

EGO


Angústia é fala entupida


Keep talking


))))ECHOES((((


Aglomerado

de

pólos


What do you want from me ................. tudo dito


…No time


Keep talking


I N C O M U N I C A B I L I D A D E


DESVALORAÇÃO ........................................... — My skin is cold!


Deterioração interna


WAR FOR TERRITORY


Keep talking


......................................................... há um

..................................................direito....... silêncio

..................................................pensar ...... a minha

..................................................consigo.....volta

.............................................................não

LOST WORDS

high hopeS

more sadnesS


The ringing of the division bell had began


É o homem que fechou a porta


Não precisa ser assim

Tudo que precisamos é continuar conversando

4 de set. de 2008

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E agora que o desespero de um futuro-dia
Finge não ter medo
Atrevo me olhar no espelho

Se oculta livre dentro do pulso
Um calibre nitrogenado

Omite sangrar mnemônico passado
Teima dizer: “tudo está bem, pelo menos você está vivo”
Qualquer desses dias
O mar pode molhar

Vejo a onda morrer
Perfeita!
Quebra alguma veia

Mergulho de uma verdade:
Você ainda pode sangrar

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25 de ago. de 2008

Assassínio

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Os passos, agora, aumentam a firmeza, enquanto os veículos passam velozes ao meu lado. Continuo caminhando, medito metafísicas, sob a abóbada negra, pontilhada de soturnidades. O céu, como um espelho da alma, reflete o que sentimos, parece me acusar com suas estrelas a brilhar intermitentes. A cachaça cria névoa, embaça minha memória. Esqueço quem fui nas últimas horas. Agora, eu apenas sou... fruto do acaso.

O efeito do etanol começa a dissipar-se, as reminiscências vêm voltando vagarosas deixando-me inquieto, não gosto da sensação. Sinto-me prisioneiro em mim mesmo. Às vezes, saboreio um gosto de sangue mas gosto. Essas ruas repetidas é que me dão náusea

18 de ago. de 2008

Duas da manhã

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Deitada sem cochilo
Recorda
Uma lembrança voluntária:
O sofá dos dezessete...
A prima encolhida

(chatice de tempo recente)

O short jeans
Mãos debaixo do lençol
O toque
Goza dissoluta

(cratera temporal)

Vento sopra folha
Quem interferiu?
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4 de ago. de 2008

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fu mar
..chá
vegeta
.folha
.mate
..nau
.vega
..can
...to
mares?
,

29 de jul. de 2008

Fazenda de Crianças

As pessoas querem saber por que eu faço isso,
por que eu escrevo essas coisas tão horríveis.
Eu gosto de dizer a elas que eu possuo
o coração de um
.
garotinho, e eu o guardo
num pote em cima da minha escrivaninha.
King

Era um sábado de céu azul quando acordou com a máquina que bombeia o sangue batendo forte, suas mãos pareciam untadas de tanto suor, as pálpebras se recusavam a permanecer fechadas, retirou a coberta de sobre o corpo, levantou e caminhou até o banheiro, viu sua imagem no espelho e permaneceu alguns segundos imóvel olhando assustado para ela. Sua pele amarelada transpirava continuamente, as íris cor de mel estavam quase escondidas pelas pupilas dilatadas, como se houvesse usado cocaína. Abriu a torneira e jogou água no rosto a fim de despertar-se por completo.
Bento gostava de passar os finais de semana em seu sítio, em Terra Vermelha Dois, para descansar do estresse rotineiro que o afligia.
Quando saiu do banheiro, atravessou o corredor em direção a sala, o chão de taco escuro criava ao ambiente uma aparência soturna mesmo para um sábado de céu azul. Quando chegou à sala deparou-se com uma mesa de mogno, a qual não era rodeada por cadeiras, e, em cima dela havia uma criança deitada, era pálida e estava nua.
Minuciosamente Bento começou a trabalhar o cadáver. Primeiro ele incisava com o bisturi acima do esterno e traçava uma linha reta até a região pubiana, em seguida retirava tangencialmente o tecido epitelial, de forma que a pele saía inteiriça. Fazia isso como quem retira o excesso de pele de um frango, só que para Bento a pele era o principal.
Depois de retirada, a pele era cuidadosamente lavada e posta para secar. Dessarte, ele cosia as peças.
Quando terminou a extração, seguiu para outro cômodo da casa, este ficava atrás de uma falsa estante, que era na verdade uma porta. Abriu-a e acendeu a lâmpada. A casa era desenhada de tal forma que quem chegasse ali nunca desconfiaria de um cômodo escondido e ele era espaçoso, dentro tinha uma máquina de costura profissional, uma mesa de mármore e, do lado oposto, um guarda-roupas. Em cima da mesa havia diversas roupas: blusas, camisas, calças, gorros. Todos feitos com peles infantis.
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24 de jul. de 2008

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O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos e antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade, fui ungida; desde o princípio, antes do começo da terra. Então, eu estava com ele e era seu aluno; folgando no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.

Pv. 8.22-23, 30-31

s.

No princípio, descobri a Sabedoria e avistei o infinito

...................Não consegui desvendá-lo e criei um Ser infindo

(Para culpar minha sabedoria, que não pude compreender)

...................Todavia, tentava obedecê-Lo e por saber que não podia

Concebi outro que perdoava e sangrava como eu

...................Por fim, pari o Fim destruindo-me, pois não sabia

Que, desde o início, aquele Ser vivia dentro de mim.
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29 de jun. de 2008

,
Independência

a vida vive sem mim
e eu morro sem ela.

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20 de jun. de 2008

,
beleza muda

boca assim bem rosadinha
como a boca que cê tinha
só não era tão bonita
quando a boca cê abria.

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