13 de nov. de 2008
O Sofá
O sofá da sala fez alguns anos
A vida que assenta
Não é a mesma que assentou
Foi conspurcado
Abusaram e deitaram no sofá
Não pediram
Ele não reclamou seu direito de sofá
Deitaram e abusaram do sofá
O quadro fixado na parede
Incomoda ninguém
Arte que virou enfeite
Provável se excluírem da sala
Deixe mais besta a parede
O tapete firma quem está de pé
Aquece e conforta
Luxo mal percebido
Nem importa de onde advindo
Pisado, quem trabalhou a trama não interessa
Está pronta e... paga?
A sala permanece notável
Enquanto a tv está ligada
Mas o lucro é do sofá
O sofá da sala que fez alguns ânus
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30 de out. de 2008
A quinta fase da Lua (parte 1)
A face negra da Lua
Que impressão causa ao homem o mistério das coisas?
O desconforto da curiosidade, a busca pela revelação?
A parte obscura da Lua me incomoda
Mas não me diz respeito
Que diferença faz?
Tenho quase certeza de que ela não se pergunta
Por que eu não resplandeço para ela me admirar
Mas a verdade é que tenho de desvendar
Esta folha em branco me diz muito mais coisas
Do que a obscuridade da face negra da Lua
Que nem sempre é negra
Mas hoje resolveu ser
Sou movido pela invisível motriz lunar
Por sua força, a maré esvazia cheia
Não há lado negro na Lua
Mas ela é branca porque tem um lado negro
Você só é bonita porque a outra é feia
Sem contraste não há beleza, não há divisão,
Não há artigo definido, não há ser, não há...
Que maldição seria o dia, não houvesse noite!
O que eu faria do seu amor, se não me sentisse só?
Eu o guardaria com carinho
No vento que passou
E nem mesmo respirei
Agora só estou certo porque tive dúvida
Mas, olhe, veja, não é monótona essa certeza?
Existe um impulso na onda da maré morna
Que quebra a calmaria da vida
E esse vetor é a morte
Observou?
Outro contraste!
Não há eternidade sem morte
Sem o homem não há Deus
Jesus está certo: o Diabo ou a cruz
Não posso ser os dois
A balança cosmogônica exige equilíbrio
Enquanto uns fazem filhos, outros matam
Do trapézio da vida, cuspo em tudo isso
E que o Diabo pegue a cruz e enfie!
.
14 de out. de 2008
Telperion

Nada há.
A água do Caos
Rega a semente
Germina ser
Árvore
A raiz expande o Cosmos
Ara a terra
Se aprofunda no pó
Da morada sempiterna dos mortos
Surge a vida
De sua bela flor transcende a Lua,
musa fértil dos amantes,
das criaturas noturnas e
dos seres errantes
Cresce indiferente aos outros seres
Seu primeiro ramo
Almeja o Céu
Seu primeiro ramo
Nasce verde
Seu primeiro ramo
Morre cinza
No galho
Ermo
Do desvio
e quando tudo acaba
Fëanor seiva ser deus
aguarda
7 de set. de 2008
Division Bell
Durante milhões de anos,
A humanidade viveu como os animais.
Aí algo aconteceu
Que libertou
O poder de nossa imaginação:
Aprendemos a falar
EGO
Angústia é fala entupida
Keep talking
))))ECHOES((((
Aglomerado
de
pólos
What do you want from me ................. tudo dito
…No time
Keep talking
I N C O M U N I C A B I L I D A D E
DESVALORAÇÃO ........................................... — My skin is cold!
Deterioração interna
WAR FOR TERRITORY
Keep talking
......................................................... há um
..................................................direito....... silêncio
..................................................pensar ...... a minha
..................................................consigo.....
.............................................................não
LOST WORDS
high hopeS
more sadnesS
The ringing of the division bell had began
É o homem que fechou a porta
Não precisa ser assim
Tudo que precisamos é continuar conversando
4 de set. de 2008
E agora que o desespero de um futuro-dia
Finge não ter medo
Atrevo me olhar no espelho
Se oculta livre dentro do pulso
Um calibre nitrogenado
Omite sangrar mnemônico passado
Teima dizer: “tudo está bem, pelo menos você está vivo”
Qualquer desses dias
O mar pode molhar
Vejo a onda morrer
Perfeita!
Quebra alguma veia
Mergulho de uma verdade:
Você ainda pode sangrar
.
25 de ago. de 2008
Assassínio
Os passos, agora, aumentam a firmeza, enquanto os veículos passam velozes ao meu lado. Continuo caminhando, medito metafísicas, sob a abóbada negra, pontilhada de soturnidades. O céu, como um espelho da alma, reflete o que sentimos, parece me acusar com suas estrelas a brilhar intermitentes. A cachaça cria névoa, embaça minha memória. Esqueço quem fui nas últimas horas. Agora, eu apenas sou... fruto do acaso.
O efeito do etanol começa a dissipar-se, as reminiscências vêm voltando vagarosas deixando-me inquieto, não gosto da sensação. Sinto-me prisioneiro em mim mesmo. Às vezes, saboreio um gosto de sangue mas gosto. Essas ruas repetidas é que me dão náusea
18 de ago. de 2008
Duas da manhã
Deitada sem cochilo
Recorda
Uma lembrança voluntária:
O sofá dos dezessete...
A prima encolhida
(chatice de tempo recente)
O short jeans
Mãos debaixo do lençol
O toque
Goza dissoluta
(cratera temporal)
Vento sopra folha
Quem interferiu?
.
29 de jul. de 2008
Fazenda de Crianças
por que eu escrevo essas coisas tão horríveis.
Eu gosto de dizer a elas que eu possuo
o coração de um.garotinho, e eu o guardo
num pote em cima da minha escrivaninha.
King
Era um sábado de céu azul quando acordou com a máquina que bombeia o sangue batendo forte, suas mãos pareciam untadas de tanto suor, as pálpebras se recusavam a permanecer fechadas, retirou a coberta de sobre o corpo, levantou e caminhou até o banheiro, viu sua imagem no espelho e permaneceu alguns segundos imóvel olhando assustado para ela. Sua pele amarelada transpirava continuamente, as íris cor de mel estavam quase escondidas pelas pupilas dilatadas, como se houvesse usado cocaína. Abriu a torneira e jogou água no rosto a fim de despertar-se por completo.
Quando saiu do banheiro, atravessou o corredor em direção a sala, o chão de taco escuro criava ao ambiente uma aparência soturna mesmo para um sábado de céu azul. Quando chegou à sala deparou-se com uma mesa de mogno, a qual não era rodeada por cadeiras, e, em cima dela havia uma criança deitada, era pálida e estava nua.
Minuciosamente Bento começou a trabalhar o cadáver. Primeiro ele incisava com o bisturi acima do esterno e traçava uma linha reta até a região pubiana, em seguida retirava tangencialmente o tecido epitelial, de forma que a pele saía inteiriça. Fazia isso como quem retira o excesso de pele de um frango, só que para Bento a pele era o principal.
Depois de retirada, a pele era cuidadosamente lavada e posta para secar. Dessarte, ele cosia as peças.
Quando terminou a extração, seguiu para outro cômodo da casa, este ficava atrás de uma falsa estante, que era na verdade uma porta. Abriu-a e acendeu a lâmpada. A casa era desenhada de tal forma que quem chegasse ali nunca desconfiaria de um cômodo escondido e ele era espaçoso, dentro tinha uma máquina de costura profissional, uma mesa de mármore e, do lado oposto, um guarda-roupas. Em cima da mesa havia diversas roupas: blusas, camisas, calças, gorros. Todos feitos com peles infantis.
.
24 de jul. de 2008
O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos e antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade, fui ungida; desde o princípio, antes do começo da terra. Então, eu estava com ele e era seu aluno; folgando no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.
No princípio, descobri a Sabedoria e avistei o infinito
...................Não consegui desvendá-lo e criei um Ser infindo
(Para culpar minha sabedoria, que não pude compreender)
...................Todavia, tentava obedecê-Lo e por saber que não podia
Concebi outro que perdoava e sangrava como eu
...................Por fim, pari o Fim destruindo-me, pois não sabia
Que, desde o início, aquele Ser vivia dentro de mim.
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29 de jun. de 2008
20 de jun. de 2008
18 de jun. de 2008
15 de jun. de 2008
E perceber nos objetos a sensibilidade do impalpável.
Mas não é a rosa a poesia pura em si desnudada e visível a todos?
A flor não precisa do poeta para se tornar poesia, ela já o é!
Assim como o Amor não necessita de um alvo para que sua existência seja real.
Todo poeta é egoísta e digo que o meu poema é bom!
Pois como iria reclamar o mundo - se não gosto dele - com algo do mesmo nível?
Por isso digo: meu poema é altruísta e melhora o mundo!
10 de jun. de 2008
Anatomia de uma poesia morena

Pernas
Dísticos verticais,
Seu destino é se cruzar.
Mão
Para nos tocar
Numa melodia,
Foi composta tão
Delicada quanto
Uma redondilha.
Boca
Como nave rósea
Me faz ascender
Ao céu onde prostro
Meu sacro desejo.
Com ela proclama
Benditos segredos
Oblados na cama.
Sopra minha nuca,
Morde minha alma,
Nina o meu jugo,
Parte minha carne
E imola a mim
Feito decassílabo
De versos partidos.
,
8 de jun. de 2008
Três Tempos
Da janela
Lá de casa
Observava
Um felino
A miar
Será cio?
Será fome?
Se tem tara,
Eu não sei.
Que se dane
O bichano!
Mais me vale
Esse céu
De outono
Que colore
Com azul
Majestoso
O meu dia
Ocioso.
Mas agora,
Rubesceu.
Culpa de
Um pecado
De uma bunda
Empinada
Que passava
Rebolava
Me excitava
Balançando
Uma banda
Duas bandas
O bumbum
E passou...
E eu fiquei
Sem ninguém
Pra preen
Cher os meus
Olhos com
Tal prazer.
Escuri
Dão celeste,
Distancie
A ilusão
Que o dia
Me encobriu
Com luz e
Fealdade
Mostre que
Há beleza
Na pouca
Claridade
E esplendor
Na ausência
Do calor
Há na noite
Mais estrelas
Há na noite
Sem mentira
Um satélite
Fidelíssimo
Que me guia.
,
18 de mai. de 2008
30 de abr. de 2008
Ideal
Que não é meu mas queria que fosse
Que pudesse ser perfeito e doce
E não mesclasse tanto amargor.
Quando me deito é nela que penso
Quando encerro as pálpebras só divago
Numa noite de um negro céu nublado
Onde repousarei deste lamento.
E tenho mesmo esta esperança
Confusa, que tanto me entontece:
Que a Dama não seja fraca e lânguida,
Que sua foice seja lépida e breve.
Caminha junto de mim uma dor
Ela é minha e eu quero que seja.
Meu único e verdadeiro amor:
A Morte, fim de todos os desejos.
22 de abr. de 2008
Boa Viagem!

- Beto, vai mais devagar, isso é um passeio.
Reduziu a velocidade e expirou forte no vidro já embaçado pela chuva fina que desaguava. Gostava da rotina que mantinha, bom emprego, família com saúde "é isso que importa" carregava essa frase como um mote a confrontar os infortúnios patéticos. Sim! Patéticos. Na verdade nem existiam.
Passaram por uma placa que avisava a aproximação de um posto com restaurante.
- Cleide, vou parar pra comer alguma coisa. Vão querer almoçar, crianças?
A Júlia foi a primeira a gritar que queria chocolate. Pedro preferia salgadinhos.
- Lamento, meninos, mas porcaria só depois do almoço. — ouviu-se um "aaahhh" e o Escort ganhou a entrada do posto.
Logo ao entrar no restaurante, um garçom informou que a comida havia acabado. A família seguiu para a loja de conveniência, como não tinha nenhum alimento nutritivo, chocolate e nem o salgadinho, compraram água e saíram murmurando.
Júlia não parava de reclamar seu chocolate. Pedro falava que ela nunca mais iria comer chocolate, que todos os chocolates do mundo haviam acabado. A garota desabava a chorar. De imediato a mãe consolava Júlia e brigava com o filho.
A viagem prosseguiu.
Após uma hora, aproximaram-se do pórtico de uma cidadezinha e Beto estacionou no acostamento. Do outro lado da rua, duas lanchonetes fechavam as portas. Beto ainda correu para falar com eles, mas baixaram as portas de aço com rapidez.
Atravessou o asfalto xingando e entrou no carro, pisou fundo.
Cinco horas se passaram, as crianças dormiam, outra cidade se aproximava. Avistou um McDonalds (o grande parcimonioso), finalmente iria comer. Sim! Um delicioso Big Mac. Ele grita emocionado:
— Hi-yo, Silver, VAAMMOOOS!
Desgovernado, vinha um carro na contra mão, Beto desvia, ainda empolgado com o palhaço da rede de fast-food, bate numa placa de sinalização Pare, que estranhamente se parte e é arremessada em direção ao pára-brisa, atravessa-o e pára ao decapitar Júlia. A cabeça rola e cai no colo de Pedro, que abre a porta e sai em disparada para a estrada. Um Monza o pega e o arremessa a uma longa distância onde uma carreta trafegava. O garoto cai embaixo dela, partes do corpo ficaram agarradas no pneu e mancharam o asfalto por cerca de cem metros deixando um colorido repugnante, como balões dentro do esgoto. O Monza derrapou na pista molhada e colidiu com sua frente na lateral do Escort, que quebrou a placa do McDonalds e a fez cair em cima de seus ocupantes.
18 de abr. de 2008
Encanto Ausente

