4 de ago. de 2008

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fu mar
..chá
vegeta
.folha
.mate
..nau
.vega
..can
...to
mares?
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29 de jul. de 2008

Fazenda de Crianças

As pessoas querem saber por que eu faço isso,
por que eu escrevo essas coisas tão horríveis.
Eu gosto de dizer a elas que eu possuo
o coração de um
.
garotinho, e eu o guardo
num pote em cima da minha escrivaninha.
King

Era um sábado de céu azul quando acordou com a máquina que bombeia o sangue batendo forte, suas mãos pareciam untadas de tanto suor, as pálpebras se recusavam a permanecer fechadas, retirou a coberta de sobre o corpo, levantou e caminhou até o banheiro, viu sua imagem no espelho e permaneceu alguns segundos imóvel olhando assustado para ela. Sua pele amarelada transpirava continuamente, as íris cor de mel estavam quase escondidas pelas pupilas dilatadas, como se houvesse usado cocaína. Abriu a torneira e jogou água no rosto a fim de despertar-se por completo.
Bento gostava de passar os finais de semana em seu sítio, em Terra Vermelha Dois, para descansar do estresse rotineiro que o afligia.
Quando saiu do banheiro, atravessou o corredor em direção a sala, o chão de taco escuro criava ao ambiente uma aparência soturna mesmo para um sábado de céu azul. Quando chegou à sala deparou-se com uma mesa de mogno, a qual não era rodeada por cadeiras, e, em cima dela havia uma criança deitada, era pálida e estava nua.
Minuciosamente Bento começou a trabalhar o cadáver. Primeiro ele incisava com o bisturi acima do esterno e traçava uma linha reta até a região pubiana, em seguida retirava tangencialmente o tecido epitelial, de forma que a pele saía inteiriça. Fazia isso como quem retira o excesso de pele de um frango, só que para Bento a pele era o principal.
Depois de retirada, a pele era cuidadosamente lavada e posta para secar. Dessarte, ele cosia as peças.
Quando terminou a extração, seguiu para outro cômodo da casa, este ficava atrás de uma falsa estante, que era na verdade uma porta. Abriu-a e acendeu a lâmpada. A casa era desenhada de tal forma que quem chegasse ali nunca desconfiaria de um cômodo escondido e ele era espaçoso, dentro tinha uma máquina de costura profissional, uma mesa de mármore e, do lado oposto, um guarda-roupas. Em cima da mesa havia diversas roupas: blusas, camisas, calças, gorros. Todos feitos com peles infantis.
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24 de jul. de 2008

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O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos e antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade, fui ungida; desde o princípio, antes do começo da terra. Então, eu estava com ele e era seu aluno; folgando no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.

Pv. 8.22-23, 30-31

s.

No princípio, descobri a Sabedoria e avistei o infinito

...................Não consegui desvendá-lo e criei um Ser infindo

(Para culpar minha sabedoria, que não pude compreender)

...................Todavia, tentava obedecê-Lo e por saber que não podia

Concebi outro que perdoava e sangrava como eu

...................Por fim, pari o Fim destruindo-me, pois não sabia

Que, desde o início, aquele Ser vivia dentro de mim.
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29 de jun. de 2008

,
Independência

a vida vive sem mim
e eu morro sem ela.

,

20 de jun. de 2008

,
beleza muda

boca assim bem rosadinha
como a boca que cê tinha
só não era tão bonita
quando a boca cê abria.

,

18 de jun. de 2008

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Absorvo a todos que convivo
Vivo com todos que absorvo
Sorvo tudo que está consigo
Sigo o mundo que está no outro.
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15 de jun. de 2008

Dizem que ser poeta é ver e sentir as coisas de modo diferente,
E perceber nos objetos a sensibilidade do impalpável.
Mas não é a rosa a poesia pura em si desnudada e visível a todos?
A flor não precisa do poeta para se tornar poesia, ela já o é!
Assim como o Amor não necessita de um alvo para que sua existência seja real.



Todo poeta é egoísta e digo que o meu poema é bom!
Pois como iria reclamar o mundo - se não gosto dele - com algo do mesmo nível?
Por isso digo: meu poema é altruísta e melhora o mundo!

10 de jun. de 2008

Anatomia de uma poesia morena


,
Pernas

Dísticos verticais,
Seu destino é se cruzar.

Mão

Para nos tocar
Numa melodia,
Foi composta tão
Delicada quanto
Uma redondilha.

Boca

Como nave rósea
Me faz ascender
Ao céu onde prostro
Meu sacro desejo.

Com ela proclama
Benditos segredos
Oblados na cama.

Sopra minha nuca,
Morde minha alma,
Nina o meu jugo,
Parte minha carne

E imola a mim
Feito decassílabo
De versos partidos.
,

8 de jun. de 2008

Três Tempos



Da janela
Lá de casa
Observava
Um felino
A miar
Será cio?
Será fome?
Se tem tara,
Eu não sei.
Que se dane
O bichano!
Mais me vale
Esse céu
De outono
Que colore
Com azul
Majestoso
O meu dia
Ocioso.

Mas agora,
Rubesceu.
Culpa de
Um pecado
De uma bunda
Empinada
Que passava
Rebolava
Me excitava
Balançando
Uma banda
Duas bandas
O bumbum
E passou...
E eu fiquei
Sem ninguém
Pra preen
Cher os meus
Olhos com
Tal prazer.

Escuri
Dão celeste,
Distancie
A ilusão
Que o dia
Me encobriu
Com luz e
Fealdade
Mostre que
Há beleza
Na pouca
Claridade
E esplendor
Na ausência
Do calor
Há na noite
Mais estrelas
Há na noite
Sem mentira
Um satélite
Fidelíssimo
Que me guia.
,

18 de mai. de 2008

Como faço para transformar em arte o sentimento mútuo que sinto por ti? Não queria manter esta paixão, observar tua boca com desejo é um pecado, que omiti por meses, até mesmo de mim.
Teus olhos negros constroem um profundo abismo onde me precipício.
A ambigüidade de te amar e de te revelar segredos de outras paixões, falsas, me faz pensar o quanto todas elas são irrelevantes.
Teus lábios sempre úmidos dominam a direção de minha visão carnívora.
O que me deixa feliz nesse sorriso? O que me deixa contrito nessa amizade? A tua charmosa vaidade de ser sincera? A tua constante verdade que me desperta?
O fato que meu coração tem de encarar é que me apaixonei por minha melhor amiga.

30 de abr. de 2008

Ideal

Caminha junto de mim um amor,
Que não é meu mas queria que fosse
Que pudesse ser perfeito e doce
E não mesclasse tanto amargor.

Quando me deito é nela que penso
Quando encerro as pálpebras só divago
Numa noite de um negro céu nublado
Onde repousarei deste lamento.

E tenho mesmo esta esperança
Confusa, que tanto me entontece:
Que a Dama não seja fraca e lânguida,
Que sua foice seja lépida e breve.

Caminha junto de mim uma dor
Ela é minha e eu quero que seja.
Meu único e verdadeiro amor:
A Morte, fim de todos os desejos.

22 de abr. de 2008

Boa Viagem!






— Os balões flutuam — indicou o palhaço. — Aqui embaixo todos nós flutuamos. Logo seu amigo também estará flutuando.

Palhaço Parcimonioso - King



Júlia cantarolava baixinho acompanhando o rádio do carro, batia com as mãos no joelho ao ritmo da música. Pedro, seu irmão, vez em quando dava um jeitinho de implicar com a mana, ora fazia careta, ora mexia na barbie dela. Mas agora não, estava distraído olhando os eucaliptos que ladeavam a estrada.
- Beto, vai mais devagar, isso é um passeio.
Reduziu a velocidade e expirou forte no vidro já embaçado pela chuva fina que desaguava. Gostava da rotina que mantinha, bom emprego, família com saúde "é isso que importa" carregava essa frase como um mote a confrontar os infortúnios patéticos. Sim! Patéticos. Na verdade nem existiam.
Passaram por uma placa que avisava a aproximação de um posto com restaurante.
- Cleide, vou parar pra comer alguma coisa. Vão querer almoçar, crianças?
A Júlia foi a primeira a gritar que queria chocolate. Pedro preferia salgadinhos.
- Lamento, meninos, mas porcaria só depois do almoço. — ouviu-se um "aaahhh" e o Escort ganhou a entrada do posto.
Logo ao entrar no restaurante, um garçom informou que a comida havia acabado. A família seguiu para a loja de conveniência, como não tinha nenhum alimento nutritivo, chocolate e nem o salgadinho, compraram água e saíram murmurando.
Júlia não parava de reclamar seu chocolate. Pedro falava que ela nunca mais iria comer chocolate, que todos os chocolates do mundo haviam acabado. A garota desabava a chorar. De imediato a mãe consolava Júlia e brigava com o filho.
A viagem prosseguiu.
Após uma hora, aproximaram-se do pórtico de uma cidadezinha e Beto estacionou no acostamento. Do outro lado da rua, duas lanchonetes fechavam as portas. Beto ainda correu para falar com eles, mas baixaram as portas de aço com rapidez.
Atravessou o asfalto xingando e entrou no carro, pisou fundo.
Cinco horas se passaram, as crianças dormiam, outra cidade se aproximava. Avistou um McDonalds (o grande parcimonioso), finalmente iria comer. Sim! Um delicioso Big Mac. Ele grita emocionado:
— Hi-yo, Silver, VAAMMOOOS!
Desgovernado, vinha um carro na contra mão, Beto desvia, ainda empolgado com o palhaço da rede de fast-food, bate numa placa de sinalização Pare, que estranhamente se parte e é arremessada em direção ao pára-brisa, atravessa-o e pára ao decapitar Júlia. A cabeça rola e cai no colo de Pedro, que abre a porta e sai em disparada para a estrada. Um Monza o pega e o arremessa a uma longa distância onde uma carreta trafegava. O garoto cai embaixo dela, partes do corpo ficaram agarradas no pneu e mancharam o asfalto por cerca de cem metros deixando um colorido repugnante, como balões dentro do esgoto. O Monza derrapou na pista molhada e colidiu com sua frente na lateral do Escort, que quebrou a placa do McDonalds e a fez cair em cima de seus ocupantes.

18 de abr. de 2008

Encanto Ausente


A vida fica mais constante a cada passo que dou, entre uma pernada e outra há uma infinidade de seres voláteis que reagem a minha indiferença e a sua conivência de aceitar sem sofreguidão, ódio, rancor ou mesmo um murmúrio que conteste essa mesmice de chegar em casa, sair de volta, querer casar, buscar à rota e no fim descobrir a verdade misantrópica que permanecerá calada até que tape os ouvidos, então, um novo sentido brotará como uma ligação iônica entre o seu neo-sensor e o Universo revelando a você o que ainda não se profetizou a mim.

24 de mar. de 2008

Uma Tarde



Reconheci, pelos olhos, o sorriso
Só visto em foto de minha amiga
E confabulamos por várias horas
Até o triste matiz do arrebol.

Agora cresce uma má vontade
Em meu peito assaz contrito
Porque chegou a hora da partida,
Da distância longínqua sem alarde.

Na imensa lotação, observo e concluo:
Este lugar é um ermo platônico;
Devotado a Satanás está o mundo,
Oxalá Cthulhu viesse de Plutão!

É melhor o descaso ou a alienação?
Reme, meu peito, singre para longe
Do lacrau urbano e se lembre da feição
Amiga, que sempre será a fuga deste bonde.

18 de mar. de 2008

Venda Transparente

O tempo em que não me preocupava
Com o dia futuro virou sonho
Agora a rotina é claustrofóbica
Cercada por paredes ocupacionais,
Lacrada por um teto de obrigações
E ao meu lado tem uma, duas,
Sete e quarenta e duas pessoas
Que não se vêem, mas se olham
E, nesta sala, o número é crescente
De vida, não sei se posso chamar de vida
A liberdade existe, contudo lhe aconselho
A não expressar o seu pensar
Pois a verdade já se definiu há dois mil anos,
E você?

14 de mar. de 2008

Aniversário

Bem, hoje é Dia da Poesia e meu aniversário, ambos coincidem com o aniversário de Castro Alves, mas vou postar um poema do Pessoa.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

12 de mar. de 2008

Fotografia

























(...) Além disso, milagre, milagre mesmo, por mais que nos digam, não é boa coisa, se é preciso torcer a lógica e a razão das coisas para torná-las melhores.

José Saramago



O calcanhar - quase chegara a encostar o chão de barro seco - espera - inquieto e estático - a sola debruçar-se ao rés do solo para, assim, dar o seu derradeiro passo.

Uma corrente forte de ar ergueu a poeira vermelha fazendo-a girar no espaço vazio a deixar uma nódoa rubra - inerte - suspensa em nada.

O mesmo vento que soprou a terra fez balançar o baraço, por um átimo sufocante, mas logo o laço cessou seu movimento - inocente como uma criança de arma em punho que apesar de sua pureza ainda é fatal.

A Matéria permaneceu imóvel.
O condenado faleceu de outro modo.
(Ao pó não voltarás)
E o cadafalso permanece deserto.

27 de fev. de 2008

Divórcio

quero dividir minha caneta
e com você compor uns versos
mas nesta linha de privilégios
você escandiu os nossos bens

12 de fev. de 2008



Anônimo saiu destilado
À procura d'outra Eternit
Chuva expressão cinza
Mão lixa molhada
Na ferida da calça
Ruas sem rotina senão
Cão mijando no caos

31 de jan. de 2008

e. e. cummings

Um político é um bundão sobre o qual
se sentou tudo exceto um homem.